A nossa experiência com o método cubano

A nossa experiência com terapia cubana "resume-se" a uma estadia de 2 meses e meio no Ciren em Cuba em 2009 e a terapia em casa de 2 vezes por semana com uma fisioterapeuta cubana, a Y., formada pela Escola do Ciren.

Ao longo destes 3 anos tenho-me questionado muitas vezes se não deveria desistir da fisioterapia convencional praticada em Portugal e passar a fazer exclusivamente fisioterapia com terapeutas cubanos. Na verdade, conheço alguns casos de pais que se fartaram do convencional e desistiram das Instituições que nos "apoiam" (apoiar é uma expressão simpática na medida em que prestarem 2 sessões de 45m por semana a cada menino, para mim nao passa de caridade, e dai já há mais de um ano ter optado por ter deixado essas instituições). Mas esses meninos hoje andam ou estão em vias de andar...

E porquê?
Para mim, opinião de mãe (que nao sou nenhuma profissional da reabilitação), os fisioterapeutas cubanos conseguem numa hora aquilo que os fisioterapeutas portugueses conseguem em 1 semana. Isto porque os movimentos são rápidos, e com tal muitos mais, toda a sessão obedece a um circuito de exercícios devidamente sistematizados (começa-se pela mobilização de todo o corpo; depois x vezes da bola na posição de pé, x vezes na bola na posição de sentado, decúbitos; x tempo sentado; x tempo na Cunha com extensão de braços e carga nas mãos; x voltas a rastejar; x voltas a gatinhar; etc.). Tudo isto é possível numa sessão de 2h. E o x vezes são bastantes!
Numa sessão de fisioterapia convencional, depois de despir e de mobilizar há apenas tempo para sentar 5m e rolar na bola muito lentamente. Depois, há que vestir e terminou a sessão. Isto quando a sessão nao terminou mais cedo porque "o menino hoje está mal disposto, deve ter uma dor qualquer ou nao quer colaborar". Coisa que, em quase 3 anos de terapia cubana NUNCA ouvi.

De facto, a INTENSIDADE, a REPETIÇÃO e a PERSISTÊNCIA parecem ser as diferenças entre estes dois tipos de terapia. Isto porque os exercícios são os mesmos, assim como os métodos (Bobath, por exemplo).

E, afinal, se parece só haver coisas positivas no método cubano, porque é que só fazemos 2 vezes por semana e nos mantemos na fisioterapia normal?
Os motivos (ou as justificações que encontro!) são vários: tive a sorte de encontrar um JI que integra as terapias na rotina diária, onde tem também a hidroterapia. Depois, também tive a sorte de encontrar uma fisioterapeuta portuguesa super dedicada e amiga e que tem ajudado o Francisco nos seus pequenos progressos, e com quem partilho tudo e me tem apoiado nas experiências que vamos fazendo (sem me chamar Mae maluca). Acresce que sou adepta do método de Doman, cujo programa temos vindo a fazer e que obrigada a disponibilizar algum tempo para isso. Temos ainda a hipoterapia e a psicomotricidade, as brincadeiras e o tempo de relax... Afinal o dia só tem 24 horas...

Mas como nos vamos adaptando às necessidades do Francisco e à capacidade e vontade, quem sabe se mais tarde ou mais cedo, o caminho nao passa por fazer quase em exclusividade a terapia cubana?

Queria só acrescentar um ponto fundamental nas diferenças: é que nunca vi qualquer ponta de negativismo ou desilusão nos cubanos. Para estes a Neuroplasticidade é o motor e o futuro é incerto!

Sara

Comentários

  1. Sara, seu pensamento sobre a terapia convencional vem de encontro com todas nós, pais que estão meio cansados de doses homeopáticas de "manutenção"... gostaria muito de saber mais sobre o método e sobre sua viagem. se puder nos mandar algum link de informações sobre o método, ficamos gratos!
    abs
    Candida e Sérgio

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