O intensivo de Educação Condutiva do Quico e da Becky


No início de Abril, o Quico fez pela primeira vez um programa intensivo de 2 semanas de EDUCAÇÃO CONDUTIVA.
Há séculos que andava a ver o que era a EC (aquiaqui) e como podia fazer com o Quico. Mais uma das minhas experiências mas, como digo sempre, mais vale fazer e não gostar do que não fazer e mais tarde arrepender-me. Já me aconteceram as duas situações: estou muito arrependida de não ter iniciado o CME 2 anos antes quando falei com Ramón Cuevas (acho que iniciei quase tarde demais...) e já me arrependi de várias experiências como a estadia em Cuba...

E então o que é a EC?
Em primeiro lugar, é impossível dissociar a EC da condutora que trouxe cá, a Becky. Isto porque o método é fabuloso e super-completo mas acho que é altamente complementado pela experiência, sabedoria e dedicação da Becky. Não houve uma coisa que não falássemos que ela ou respondia de imediato (com a sua experiência) ou ia procurar e no dia seguinte trazia soluções. Mais, coisas que ela não estava especificamente a trabalhar com o Quico, ela veio sugerir materiais para ele, por exemplo uns copos específicos para trabalhar o chupar pela palhinha (que não estávamos a conseguir ultrapassar...).
Como acho um método excelente, passámos a integrá-lo como terapia na minha clínica. Por isso, todas as informações sobre o método e sobre a Becky estão aqui.
Agora vou tentar explicar de forma simples.
O método consiste em trabalhar todas as áreas ao mesmo tempo. E todas as acções que se pedem à criança ou tudo o que se ensina está relacionado com uma actividade diária especifica. Difícil ainda de perceber? Então vou exemplificar com o programa e com alguns objectivos do Quico.
Então, o Quico tinha que rolar de um local para outro, tendo como objectivo um cartão de um animal. Ao chegar lá, era-lhe perguntado qual o animal, que ele deveria saber identificar, através do sim e do não; eram-lhe dados 2 animais de brincar para responder qual deles era (sendo que um estava à esquerda e outro à direita); tinha que apontar num livro qual era o animal e carregar no som e emitir o respectivo som. Então, aqui era trabalhada a parte pedagógica (animais e direcções), o movimento de rolar, o controlo e movimento de cabeça, a intenção de se deslocar com um objectivo, a comunicação, as escolhas, o apontar, a verbalização.


E assim foram feitas muitas as actividades, cada uma delas sempre com vários objectivo, como fazer transferências, de pedagogia, de independência, de comunicação... Inclusive iniciámos a ida à sanita, como processo para retirar a fralda.


A Becky ainda ajudou no ajuste dos materiais, que temos em casa e na escola.
A sensação com que fico é que, cá em Portugal, cada profissional trabalha exclusivamente a sua área. Com a EC, a condutora está a trabalhar todas as áreas ao mesmo tempo.
A EC utiliza material especifico, outros equipamentos simples como argolas, bastões ou barras, massagens e canções.   
Gostei tanto que em menos de um mês a condutora (que é inglesa mas fala português) voltou. Desta vez por quase 4 semanas. Estamos assim a iniciar o 2º intensivo.
Trata-se de um método que, por ser tão completo, interrompi todas as outras terapias e que poderia (e deveria) ser feito numa base diária. Não como um complemento de outras terapias ou da escola. Deveria ser sim, o método principal de crianças com paralisia cerebral.
Se calhar sou de paixões. Se calhar sou é realista e cheguei a um ponto em que percebi que temos é que dar funcionalidades ao Quico, dar alguma independência, aproveitar que tem uma boa parte cognitiva. 

Espero que tenham conseguido perceber um bocadinho mais o que é a EDUCAÇÃO CONDUTIVA...
Sara





 

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