Há dias assim...

Não sei se em tempos já aqui escrevi mais ou menos isto. 
Hoje estava a ver o Factor X e quando elogiaram a Sra que teve a "coragem" de aos 61 anos ir cantar e lhe deram os parabéns por ser uma pessoa tão bem resolvida, pensei que de mim nunca se poderia dizer isso!
Na realidade, até posso ter tido uma boa carreira, aos 28 anos cheguei a Chefe do Serviço Jurídico de 1 empresa financeira, criei a minha equipa, fiz o que gostava - liderar equipas; montei uma clinica de reabilitação que tem corrido muito bem; estou a tirar a minha segunda licenciatura; casei e tive 2 filhos e hei-de ter o terceiro com saúde; tive uma adolescência normal, saí à noite, uma mãe que sempre me tratou bem; finaceiramente sempre consegui poupar para poder ter o que quero e pagar muitas despesas; ter as minhas amigas; sentir a felicidade de poder ajudar de alguma forma (nem que seja pela experiência) algumas mães que passam pela mesma situação que eu; relativamente equilibrada e inteligente...
Enfim, acho que em geral, a vida não tem sido má.
Mas tenho a maior falha que alguém pode ter: não ter conseguido dar ao meu filho aquilo que é mais importante na vida: a sua saúde.
Há-de ter havido um milésimo de segundo na minha vida que lhe fez isto. E isso nunca vou poder mudar. 
E quando o vejo chorar, sem se conseguir expressar, mudar de posição, enfim fazer qualquer coisa normal, não consigo - por muito que tente - deixar de carregar esse peso.
E isso nunca vai mudar e vai-me atormentar para sempre.
Isto devem ser as minhas hormonas completamente alteradas, que por vezes nos fazem pensar demais e nos tornar as pessoas mais inseguras...
Sei que não devemos atribuir-nos as culpas, porque de facto isso não vai melhorar em nada a condição dos nossos filhos e muito menos a nossa (e torna-se uma bola de neve que, em vez de os ajudarmos, desajudamos), mas, no meu caso, aquele milésimo de segundo mudou a vida do Quico (e de todos à nossa volta).
Como todos os pais nestas situações, já tentei procurar explicações, mais ou menos esotéricas, religiosas e não religiosas, factuais e existênciais. E, claro, não existem.
Bom, hoje, em que as minha hormonas falam muuuuuito alto, eu estou muuuuito por baixo, e o Quico não consegue explicar o seu choro e infelicidade, só me apetece ser uma daquelas personagens das histórias que conto à noite aos miúdos, como a Bela Adormecida, que pica o dedo e acorda daqui a 100 anos. Só que, na realidade, quando acorda está tudo igual, o que não mudaria em nada aquilo de que eu me quero esconder!
Há dias (ou noites) assim...
A possibilidade de amanhã eliminar esta mensagem também é grande, porque este blogue nunca foi criado para passar sentimentos negativos. Mas até eu, que por muito positiva que seja, penso e sofro com estas coisas. E como o blogue é meu e para escrever exactamente aquilo que me vai na alma... hoje é isto! 
Sara 
 


Comentários

  1. Querida querida Sara, não são as hormonas, eu não estou grávida e pelo sim pelo não até pedi á medica que me fizesse uma contagem.... E também me sinto assim tantas e tantas vezes.....
    Beijo daqui até ai e quando ai estiver dou te um abraço daqueles....

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