As recolhas de fundos para as crianças com NE

Desde esta minha chegada ao mundo das mães ditas especiais que encontrei verdadeiras MÃES ESPECIAIS, algumas delas tornaram-se minhas grandes amigas, mesmo quando são só virtuais.

Mas também encontrei muitas mães que se dizem especiais.

E agora se calhar vou tocar num ponto muito sensível mas escrevo desta vez sobretudo aos meus amigos que não têm filhos diferentes e que recebem e-mails ou mensagens a pedir dinheiro para as crianças.

É que muitas destas mães fazem inúmeros apelos, sobretudo através do Fcb, à contribuição monetária dos cidadãos para ajudar a comprar os artigos de apoio (cadeiras de rodas, andarilhos, etc), tratamentos intensivos e terapias.
Sabemos que estes produtos e tratamentos são caros e que o Estado nada, ou quase nada, faz por estas crianças ou pelas mães que não têm outra alternativa se não deixar de trabalhar para cuidar destes filhos. Muitas destas famílias (as das campanhas) vivem em condições humilhantes e precisam, outras têm até uma vida que conseguem fazer face a algumas despesas mas não a todas, outras são até mono-parentais, e outras famílias (e é sobre estas que eu escrevo) nem nada que se pareça.

Conheço pessoas que fazem constantes choradinhos, que são coitadinhas, agradecem muito alguém as ter ajudado porque são muito coitadas, mas têm bons carros e carrinhas, passam férias de Agosto no Algarve, têm boas casas (algumas até com vista para o mar), fazem terapias todas ao domicilio ou não se importam de andar a viajar para dizer que fizeram mais este ou aquele exame médico que pouca ou nenhuma importância tem (mas demonstra como são umas coitadas), montam negócios, dizem que os filhos precisam do dobro das terapias que efectivamente uma criança aguenta, fazem viagens e tratamentos fora do país onde gastam o dobro do valor do tratamento com coisas supérfluas.
É que estas pessoas, na realidade limitam-se a fazer este choradinho, "o que vier à rede é peixe", podem fazer até uma vida mais desafogada, enquanto que outras famílias mexem-se, organizam festas, fazem angariações de fundos a vender coisas, fazem ganchos e vendem, fazem recolhas de tampinhas, organizam maratonas, pic-nics, coisas sérias!

E pergunto-me: porque deve o cidadão comum contribuir para aquelas pessoas? De facto, as crianças não têm culpa dos pais que têm, mas os pais tenham consciência daquilo que fazem e deixem de sugar os outros, tenham consciência e olhem para o que fazem.

É por me ter deparado com estas situações desde o inicio que são muito poucas as causas que apoio. As que me vêm publicitar são as que conheço, sei que têm dificuldades e são merecedoras da ajuda de quem pode. E a estas apelo aos meus amigos que ajudem.

Sara


Comentários

  1. Concordo contigo Sara.
    Por norma também só apoio campanhas que conheço ou, no mínimo, que alguém da minha confiança conheça. Não quero ser injusta nem parecer demasiado desconfiada ou até mal agradecida, visto que em 2009, nós também tivemos uma campanha de tampinhas em curso, para adquirir a actual cadeira de posicionamento e transporte do João porque não tinha 7.800€ para a comprar e se estivesse à espera do Estado ainda hoje estaria à espera (entretanto foi oferecida e nós doámos as cerca de 8 toneladas que já tínhamos juntado a outras pessoas que tinham campanhas em curso). Mas é que também conheço algumas pessoas com filhos com NE e que são como tu descreveste na perfeição! Fazem choradinhos, dão pormenores (que não interessam ao Menino Jesus) e têm uma vida super confortável... E isso às vezes irrita-me, confesso! Custa-me sentir empatia por pessoas assim.
    Beijinhos

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