O Q. nasceu em Lisboa em 30 de Abril de 2008 e é um menino muito especial.

E é por ser especial que desde o primeiro dia que trabalha muito, que procuramos soluções, alternativas, pesquisamos, falamos e temos muita ESPERANÇA que um dia faça tudo o que os outros meninos fazem.

Por ser assim, te amamos e POR TI, Q. tudo fazemos.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A ACEITAÇÃO

Nos primeiros anos, procurei e pesquisei muita coisa. Li blogues do mundo inteiro, "conheci" muitas mães e o que davam a conhecer dos seus filhos através dos blogues e nas redes sociais. 
Corri mundo em busca de tratamento, trouxe para Portugal terapeutas estrangeiros, novas terapias, montei com muito carinho uma clínica de reabilitação com o intuito de proporcionar às outras crianças o mesmo que podia proporcionar ao meu filho. 
Candidatei-me à direcção da Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa, escrevi num blogue internacional, fui confidente de muitas mães, tirei dúvidas a muitos terapeutas. Diria até que ensinei a muitos terapeutas o que é viver com um filho com uma deficiência. 
Vivi por completo no mundo da deficiência.
 
Comecei por acreditar no engano dos médicos, depois no milagre, e até que aceitei.

E é sobre o momento da aceitação que falo agora.

Aceitar que nada mais podemos fazer pelos nossos filhos, seres indefesos que gerámos dentro de nós, é... (neste momento não encontro palavras para descrever)

Mas se até esse momento eu vivia inquieta, infeliz e miserável, a partir do momento que aceitei que nada do que eu pudesse fazer iria mudar o rumo da vida e a condição do meu filho, renasci. Parece um cliché mas a realidade é que sinto que houve um tsunami no dia em que o Quico nasceu, destruiu tudo à volta (relações, amizades, o meu coração) e eu andei desenfreada a tentar reconstruir tudo o que foi destruído. A certa altura percebi que não dava, eu não tinha mais material para reconstruir e abri o meu coração e aceitei que o meu filho tem uma deficiência grave, vai depender toda a vida de todos, não vai falar e nem andar. 
Mas vivo mais feliz, deixei de viver só da deficiência, libertei um peso que carregava nas minhas costas como se a responsabilidade e a possibilidade de ele melhorar ou ficar bom dependesse de mim. Não depende de mim nem de ninguém.

E tive que fazer todo aquele caminho e viver exclusivamente da deficiência, para hoje poder aceitar desta forma e de consciência tranquila.
Tenho um filho hoje menos tenso, mais feliz e sinto que ele sabe que não tem mais o peso de tentar fazer coisas que não consegue. Tenho a certeza que a vida dele é agora muito melhor do que foi nos primeiros 6 anos. E é isso que eu quero!

Não quer isto dizer que não faça terapias ou não faça tudo por ele. Se houvesse tratamento no fim do mundo, amanhã eu estava lá. Mas deixei de esperar com ansiedade por esse momento. Esse momento vai aparecer se aparecer.

Sara

1 comentário:

  1. Que lindo Sara....Estou exatamente nesse momento....não fiz tanto quanto vc...mas fiz e faço muita coisa....mas hoje depois de 7 anos com mais calma....na verdade curtindo um pouco mais a Manú que tenho....vivendo um pouco mais com ela...tb vou até o fim do mundo mas numa outra velocidade e curtindo um pouquinho mais o dia a dia com minha filha!!! O tempo passa depressa...quero ter mais tempo pra brincar com ela...tá ficano grande...já já nem cabe mais no meu colinho!!! Muito bom seu post..vaí dar muito afago e calma pra muitas mães que como nós buscamos sempre mais e mais para nossos filhos!! Desistir....parar..nunca!! Somente curtir um pouco mais o dia a dia com eles....tão bom!!!!

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