O Q. nasceu em Lisboa em 30 de Abril de 2008 e é um menino muito especial.

E é por ser especial que desde o primeiro dia que trabalha muito, que procuramos soluções, alternativas, pesquisamos, falamos e temos muita ESPERANÇA que um dia faça tudo o que os outros meninos fazem.

Por ser assim, te amamos e POR TI, Q. tudo fazemos.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

E o resto da família?

Para nós, pais, a situação de ter um filho com deficiência já começa a ser mais normal, apesar de todas as adaptações e concessões que têm que ser feitas, de todas as constantes surpresas e indecisões, o cansaço físico e psicológico ou financeiro. 
Após 5 anos até parece que já superámos o choque inicial. Eu ainda não e todos os dias me pergunto como seria se isto não fosse assim ou o que foi que correu mal no caminho para isto ter acontecido.
Mas e para a restante família ou amigos próximos?
Ninguém esperava isto, ter um neto, sobrinho ou filho de amigo com deficiência. Mas muito menos o que isso envolve para o resto da vida.
Há pessoas que têm pena do Quico ou nossa e acham que somos uns coitados.
Outras pessoas assumiram até mais rapidamente que nós. 
Há quem não saiba lidar muito bem com a situação e continua sem saber como falar com o Quico, dar a comida ou brincar. Outros agem com ele como se ele tivesse, em tudo, 5 anos (adoro estes!).
Outros que ficam nervosos com qualquer coisa relacionada com o Quico. 
Há outros que não assumem o seu papel e outros que pensam que fazem tudo melhor que nós.
Há outros que por algum motivo ou outro estão tão distantes, que já nem nos preocupamos em explicar.
Outros há que ao inicio estavam sempre a perguntar pela evolução e que depois viram que até era embaraçoso perguntar por isso. E também há alguns que pura e simplesmente acham um desperdício eu ter deixado de trabalhar, a minha dedicação, o dinheiro que gastamos, ou a procura de soluções.
Enfim, ao longo destes anos já me fui chateando muitas vezes com os vários comportamentos. Mas hoje em dia assumo com naturalidade que cada um é como é, muitos fazem concerteza o melhor que podem ou conseguem, e que realmente é uma situação tão diferente e difícil que cada um tem o direito de pensar e fazer como sente. Porque, acima de tudo estamos a falar de sentimentos e de pessoas que gostam e fazem muito por nós (E quem não o faz, paciência. Só está ao nosso lado quem faz falta e gosta de estar. Aos outros não peço nada).
Sara 

sábado, 24 de agosto de 2013

Não somos de ferro... Eu, pelo menos, não sou...

No inicio eu achava que só eu conseguia fazer as coisas relacionadas com o quico: triturar na medida certa a comida, dar a comida, dar a agua ou os medicamentos, fazer os exercicios que os terapeutas indicavam, por no plano, por as talas, fazer o programa do Doman, fazer os exercícios de CME, ter um bom posicionamento em todas as posições...
Mas ao longo destes 5 anos, o desgaste de toda a situação, o cansaço físico e psicológico, as dores lombares e a ciática, outro filho, o facto de ter deixado de pensar em exclusivo a situação (mais tarde também dou a minha opinião sobre isso), a clinica, fez com que que começasse a pensar: "ok, os outros não fazem tão bem, mas eu não consigo fazer tudo".
Então, fui deixando que algumas pessoas fizessem certas coisas, mesmo que não fossem feitas exectamenteda forma que eu queria ou mais correcta. 
Aconteceu que por vezes acabei por me aproveitar um bocadinho dessa situação e não fiz tantos exercicios quanto devia, ou permiti que na alimentação ele não tivesses melhor postura, ou não mobilizei  todos os dias, ou fosse estimulado em todas as situações que podia, nem me levanto de noite, Enfim, mas acho que não somos de ferro e às vezes também temos direito a desleixar-nos um bocadinho. 
E a realidade é que eu não sou perfeita e muitas vezes também não estou a fazer bem. E existem outras pessoas que também fazem com o quico outras coisas e até melhor que eu. E até coisas que físicamente eu não consigo fazer.
De qualquer forma, e porque os desafios desta "vida" vão surgindo, aquilo que acho é que devo continuar a fazer todos os esforços com o quico, fazer o máxima de coisas, mas também assumir que há certas pessoas que devem fazer outras coisas porque eu não tenho capacidade de fazer tudo...
Sara